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UFMG EDUCATIVA: entrevista brinquedos e brincadeiras e formação da criança

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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

MITOS E CRENÇAS SOBRE A CRIANÇA DIANTE DA TV (I )

Há muito tempo que a Televisão desperta a atenção daqueles que estudam, pesquisam e convivem com as crianças, justamente pela forma intensa como a mesma se faz presente no cotidiano de suas infâncias. Todavia, muito do que se fala sobre a criança diante da TV está a mercê da aparição de modismos, da falta de distanciamento critico necessário e não está isento de questões ideológicas e condicionamentos de toda ordem.

Desde sua criação podemos dizer que muitas pesquisas já foram realizadas com o objetivo de investigar a relação entre a TV e a criança. Num rápido balanço destas produções podemos pelo menos aqui identificar alguns de seus objetos: desde o levantamento sobre o tempo de assistência a programas televisivos (relação que pode ser solitária ou em família), passando por estudos que investigaram a percepção e a capacidade da criança distinguir imagens televisivas reais das de ficção, até chegarmos aos estudos dos efeitos, que analisaram a relação entre, por exemplo, a televisão e o desenvolvimento da linguagem e do pensamento da criança, ou de seus comportamentos pró-sociais ou violentos.

Uma primeira preocupação que me vem a mente ao reler tais estudos é a de que não podemos realizar uma crítica sobre a televisão baseando nossos argumentos em crenças e mitos. O principal deles é quando acreditamos que as crianças jazem passivas diante de um veículo onipotente. Muitos estudos foram produzidos segundo este mito (ou como queiram outros, em determinado paradigma comunicacional), quando depositavam altas doses de preocupação com “os efeitos nocivos e muitas vezes imediatos que os produtos culturais televisivos teriam sobre o comportamento infantil”. A Televisão estaria entre outras coisas concorrendo com o brincar da criança; comprometendo sua linguagem e o seu desenvolvimento; estimulando a tolerância ou a violência; incentivando o consumo desenfreado de brinquedos... estas foram algumas das muitas conclusões já produzidas. Esta crença estava presente tanto em quem era pró ou contra a TV. Atestamos nestas pesquisas o seu comprometimento com um paradigma comunicacional que enquadrava as crianças numa fórmula que as constrangiam; um modelo rígido e estático, dicotômico e linear. Teria a televisão tanto poder assim sobre as crianças?

Outro problema: a própria concepção de socialização com que trabalham as pesquisas e os discursos sobre a TV e a criança. Assim, as mesmas idéias de ordem, estabilidade, invariância e assujeitamento dos atores sociais -noções estas que modelaram o paradigma comunicacional clássico- estão também presentes nas respostas que os pesquisadores davam as perguntas sobre o que e como as crianças aprendiam em seu contato com a televisão. O forte teor psicologizante destes estudos, focados excessivamente no individual e biológico (quando valorizavam excessivamente questões comportamentais e desconheciam as crianças como pertencentes a determinados grupos sociais) como fruto da ação de sujeitos plenos (adultos) sobre sujeitos incompletos (crianças), mediados pelo meio televisivo, predominou no pensamento dos pesquisadores durante muitas décadas.

A crítica a esta noção de socialização foi feita por muitos autores em épocas diferentes, dentre eles, Mayer (1973). Segundo o autor a socialização tem lugar durante toda a vida e ela não termina na infância. Isto sugere que tal processo é inconcluso e acontece também durante a vida adulta. Mudam-se com isso os lugares que ocupavam o adulto (completo) e criança (incompleto). COHN (2002), ao refletir sobre o papel da criança nas pesquisas sobre as sociedades não-ocidentais, analisa as mudanças que ocorreram no campo da antropologia, no que se refere a discussão da relação entre a criança, o desenvolvimento infantil e seu processo de aprendizagem. De uma abordagem do universo infantil visando sua integração na sociedade (numa concepção de uma ordem social estável) as pesquisas caminharam à procura de outra abordagem que levasse em conta a mudança social presente na idéia de socialização ao reconhecer a mudança no próprio processo de transmissão de conhecimentos de uma geração a outra, bem como a autonomia do próprio universo infantil. Para SILVA (2002) o novo conceito de socialização reflete-se na própria ação das crianças como atores sociais ativos.

A partir desta explanação, propomos que os estudos das relações estabelecidas entre a criança e a televisão sejam parte de discussão mais ampla sobre os estudos da infância. Neste sentido, aquilo que ficou latente nos estudos anteriores como uma premissa, como algo já dado ou natural é para nós aquilo que necessitamos trazer à tona sob o risco de obscurecermos a discussão. Daí a importância em se discutir conceitos como “socialização”, “infância” e “paradigma comunicacional”. Este é o assunto de nosso próximo texto...

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