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UFMG EDUCATIVA: entrevista brinquedos e brincadeiras e formação da criança

FAZ ASSIM! CANTORIAS E BRINCADEIRAS INFANTIS

OUÇA AQUI AS PRIMEIRAS MÚSICAS DE NOSSO CD: produção: Claudio Emanuel, Marilza Máximo e Rogério Correia Direção Musical: Silvia Lima e Christiano Souza Oliveira

Faz assim!

Despedida/ Samba mais eu

territorio do brincar

sábado, 29 de novembro de 2008

Quando chega a hora de comprar brinquedos nas Escolas de Educação Infantil


Um ato corriqueiro e ao mesmo tempo tão afetuosamente especial de nossa cultura talvez seja a prática de presentear as crianças com brinquedos. Conseguiríamos esgotar aqui todos os significados presentes num simples ato de presentear uma criança com um brinquedo? O brinquedo adquire aqui o significado de presente. O aniversário, o natal, o dia das crianças... as datas comemorativas ensinam às crianças a noção de tempo decorrido quando relembramos o dia do seu nascimento (aniversario), colocando-as em lugar de destaque ou o centro das atenções, o motivo e o sentido da festa. Diante do gesto de presentear a criança damos testemunho da sua importância em nossa sociedade. Mas não é só isso.

O simples ato de comprar brinquedos nos insere num diálogo com a cultura da criança e com o imaginário construído sobre a infância em que estamos imersos em nossa sociedade: imagens de infância guardadas em nossa memória, representações de criança - diversas e contraditórias- frutos das práticas culturais estabelecidas na relação adulto-criança, do discurso de teóricos das mais diversas áreas que buscaram construir um olhar diferenciado com relação a criança e suas brincadeiras, do papel da cultura de massas e da cultura popular no fomento desta imagem e, por fim, mas não menos importante nosso diálogo com a própria criança que brinca.

Por mais que simplesmente compremos aquilo que as crianças nos peçam não deixamos de emitir nossa opinião e desta forma fazemos escolhas. Nossas escolhas por determinados brinquedos refletem muitas vezes a imagem que nós adultos temos da criança (ou da nossa própria infância vivida) e uma preocupação sobre a imagem de mundo e de cultura que queremos valorizar (ou esconder) dos pequenos. Refletem também como compreendemos e valorizamos as brincadeiras na vida da criança.

Tratamos por brinquedo aquele objeto industrializado ou artesanal reconhecido como tal pelos adultos e crianças que independente de serem utilizados ou não, continuam sendo brinquedos destinados à criança. Objetos feitos pelos adultos; trata-se de uma produção cultural voltada para a criança.

O brinquedo é uma potente mídia e através dele transmitimos mensagens as crianças. Cada cultura coloca à disposição da criança na forma de brinquedos um banco de imagens consideradas expressivas dentro de um espaço cultural. Existe uma infinidade de universos culturais representados nestes objetos, desde o mundo da guerra e tecnológico, passando pelo universo doméstico, das profissões até o universo dos programas e desenhos televisivos. A criança ao brincar estaria manipulando estas imagens em terceira dimensão despertadas e sugeridas pelos brinquedos utilizando-as da forma como bem lhe convir elaborando novas hipóteses sobre o mundo que a rodeia.

Comprar brinquedos também é fonte de preocupação de quem trabalha na escola. A fim de garantir à criança seu direito ao brincar as escolas organizam-se para oferecer situações, espaços, materiais e tempos para tal atividade, promovendo interações entre crianças das mais diversas idades e mesmo com os próprios adultos. Muitas destas interações são mediadas pelos brinquedos. Eles constituem um aspecto fundamental e enriquecedor do brincar da criança. A tarefa de escolha e aquisição dos mesmos nem sempre é fácil.

Qual seria a diferença entre o gesto de comprar brinquedos para crianças já tão conhecido de nossa cultura e o de selecionar brinquedos para instituições de Educação Infantil? Quais as especificidades que orientariam as escolhas de brinquedos em uma escola de Educação Infantil ?

A seleção de brinquedos em Instituições de Educação Infantil

Os critérios como a segurança e a durabilidade dos brinquedos são importantes e devem ser sempre buscados, mas não devem ser os únicos.

Existe uma forte relação entre o brinquedo e o desenvolvimento da criança em cada etapa do seu desenvolvimento. As listas mais utilizadas pelos professores e fabricantes de brinquedos procuram adequar em suas classificações o brinquedo à idade da criança. Elas estão baseadas em pesquisas que tem como referencia os estudos de Piaget sobre a função do brincar no desenvolvimento da criança. E quando estamos falando aqui de desenvolvimento estamos tratando de todas as suas dimensões do físico ao intelectual, do afetivo, do social, do cultural e da criatividade da criança. O brinquedo é analisado em sua estreita relação com os itinerários de desenvolvimento da criança, ele possibilita à mesma desenvolver determinadas habilidades, adquirir competências, avançar em seus estágios de desenvolvimento.

Além das teorias de Piaget, existem outras novas formas de classificar os brinquedos, enriquecendo ainda mais nossas possibilidades de escolha e combinação entre os brinquedos. Por exemplo, se temos o brinquedo como portador de imagens culturais a serem manipuladas pelas crianças ao brincar, então, quanto mais diversas forem estas imagens, mais rica será a brincadeira. Neste sentido, se temos a opção comprar 10 bonecos, façamos a opção por adquirir a maior variedade possível: tamanhos e raças diferentes, soldados, personagens do universo da TV, animais do universo da fazenda, dinossauros...

O contexto de uso do brinquedo nas escolas difere muito da situação em outros contextos como a casa. Lá a rotatividade é muito maior, ele é mais solicitado. Isto sem falar que muitos dos brinquedos não foram planejados para as situações de uso da escola.

Se a idéia é abrir a discussão na busca de critérios que não reduzam as possibilidades do brinquedo no processo de socialização e desenvolvimento da criança acreditamos que a escolha dos brinquedos não pode estar desvinculado da forma como a escola pensa e planeja o brincar e como pensa trabalhar questões importantes da formação da criança. Escolher brinquedos para compor uma brinquedoteca é bem diferente de escolher brinquedos para organizar cantinhos de brinquedos na sala de aula. Se a escola possui espaço externo para brincadeiras, quais brinquedos podem ser mais adequados para as brincadeiras nesse lugar? E se a escola tem muitas dificuldades com espaço? Como garantir que o brinquedo permaneça a maior parte do tempo nas mãos das crianças e não guardados em prateleiras ou, quando o contrário, são disputados acintosamente? Como trabalhar as diferenças de gênero, a diversidade cultural, como o brinquedo pode ajudar estimulando formas de convívio social mais solidárias entre as crianças das mais diversas idades? Estas são algumas preocupações que podemos ter como norteadoras.

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