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UFMG EDUCATIVA: entrevista brinquedos e brincadeiras e formação da criança

FAZ ASSIM! CANTORIAS E BRINCADEIRAS INFANTIS

OUÇA AQUI AS PRIMEIRAS MÚSICAS DE NOSSO CD: produção: Claudio Emanuel, Marilza Máximo e Rogério Correia Direção Musical: Silvia Lima e Christiano Souza Oliveira

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quinta-feira, 27 de novembro de 2008

O BRINCAR ENTRE OS ADULTOS, UMA EXPERIENCIA ESTÉTICA


No trabalho que faço com jogos e brincadeiras sempre busquei tratar do lugar das brincadeiras na aprendizagem e socialização das crianças e nunca busquei tratar da importância desta experiência para os adultos. No último dia 13 de novembro participei em Pedro Leopoldo (MG) de um encontro com profissionais da Educação Infantil. O encontro é parte do projeto Infancia Ideal, parceria entre a Empresa Camargo Corrêa, a prefeitura da cidade e as Faculdades Integradas de Pedro Leopoldo.

O encontro durou um pouco mais de uma hora. Chovia bastante mas apesar disto pudemos realizar muitas brincadeiras. O grupo (em torno de 60 pessoas) era constituído por profissionais que não eram professores ou educadores, desta forma não poderia dizer que o brincar constituía parte do seu cotidiano, sua ferramenta de trabalho, ou algo parecido. Mesmo assim, não pude deixar de observar a intensidade como homens e mulheres se envolviam nas brincadeiras, a sensação de êxtase, alegria e descontração presentes nas expressões e depoimentos dos participantes.

Se alguém me perguntar o motivo do titulo do artigo, digo que durante o encontro pensei muito naquilo que motivava as pessoas a brincarem e percebi que o resultado daquela brincadeira era belo, trazia beleza aos olhos e ao espírito e a experiencia estética vivida era muito semelhante a de qualquer outra forma de expressão artística que já vivi como a dança, a música, o teatro. Como dizia Shiller, o jogo e belo é uma forma de vida...

Na conversa com os participantes tive alguns insigts e agora passo a compartilhar com vocês. A primeira constatação é a de que não podemos reduzir a brincadeira a apenas uma produção das culturas infantis. Não estamos aqui menosprezando o papel destas últimas na preservação e perpetuação das brincadeiras, mas existe um outro lugar em que elas ainda estão vivas, pulsantes: nas memórias e vida dos adultos. Mesmo que há muito tempo não brinquem, elas ainda estão lá. Para mim a brincadeira muito mais que uma produção das culturas infantis é uma forma de linguagem, de registro de nossas experiências, que são ao mesmo tempo pessoais e culturais.

As brincadeiras trazem a vida condensada em micro-universos. Elas nos contam histórias, é uma forma de registro de tempos e épocas passadas. Esta memória das experiências passadas fica registrada através da beleza das letras das músicas, na harmonia dos movimentos, nos gestos expressivos. Ao brincarmos tomamos contato com esta história e a atualizamos. As brincadeiras entram em nosso corpo e nos marca, constroem nossas sensibilidades e assim passam a fazer parte de nossa própria história. Procurei uma palavra que fosse significativa para representar aquilo que sintia enquanto brincava com o grupo. Encontrei uma: ar-re-ba-ta-men-to. Traz em si as ações de encantar, enlevar, extasiar, maravilhar, entusiasmar... no dicionário, uma passagem bíblica vinha junto à palavra para contextualizar um de seus sentidos " se a fé te arrebata e inflama, vai aonde ela te levar". Gostei destas palavras. A brincadeira nos arranca, da rotina da inércia, da seriedade do mundo...

O tempo da brincadeira é um tempo dentro do tempo. O tempo não para mas temos a sensação de um tempo alargado. O tempo da brincadeira não é o tempo da fábrica, muito menos o tempo da TV ou da escola. É o tempo do ócio, o tempo inútil, não-produtivo, não visa um fim ou um produto. Talvez esteja relacionado a forma como vivemos esta experiência.

As brincadeiras não desaparecem quando nos tornamos adultos, acredito que elas se modifiquem tornam-se outra coisa. Elas saem do nicho da infância para se disseminarem em nossas redes de sociabilidade. Se as brincadeiras nos ensinam práticas de sociabilidade, como devemos tratar o outro, estabelecendo códigos de convivência entre as pessoas estariam os elementos das brincadeiras presentes de alguma forma mesmo que não mais a reconheçamos como tal no dia-a-dia de nossas relações sociais.

Por fim, conversamos sobre quem ensina quem a brincar. Por ser uma prática que não foi criada pela escola mas sim apropriada por ela, os mestres da brincadeira não são exclusividade dos professores. É mestre quem se propoe a brincar com as crianças, falar de sua infância, reconhecer e garantir a infancia das crianças de hoje.

A experiencia foi muito gratificante! Um abraço a todos que aceitaram o convite de participarem da oficina naquele dia. Espero reencontrá-los.

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